Apesar dos museus e espaços culturais serem uma das grandes motivações dos turistas para visitarem um determinado destino, é usual que estes locais enfrentem alguns problemas que possam afetar a sua afluência: os visitantes entram e saem rapidamente dos seus espaços, os conteúdos que fornecem não são consumidos na sua totalidade e, de um modo geral, existe uma falta de envolvimento real por parte do público em toda a visita.

No entanto, estes desafios podem ser ultrapassados através da criação de experiências mais envolventes e interativas. Coloca-se então a questão: porque é que algumas experiências captam a nossa atenção e outras não?

Visitantes a interagir com uma experiência cultural gamificada.

O visitante já não procura apenas informação

Pense em todas as vezes que visitou algum museu ou espaço cultural. Qual é que proporcionou uma experiência que até hoje não se esqueceu? Provavelmente envolveu algo mais do que apenas observar uma peça e ler a informação fornecida sobre a mesma. Atualmente, o modelo tradicional de uma visita, outrora focado apenas em narrativas guiadas, onde se apresenta a peça com alguns factos, datas e pequenas descrições, já não é suficiente para responder às expectativas do visitante atual.

Isto tornou-se um problema com a modernização do mundo digital, caracterizado por excesso de conteúdos, mas um baixo nível de retenção por parte dos indivíduos. Hoje, o visitante já não procura apenas mais informação, mas sim uma exploração livre do espaço, experiências com significado e momentos verdadeiramente memoráveis.

Deste modo, a curadoria e narrativa deixam de ser apenas uma ferramenta criativa, para passarem a funcionar também como ferramenta estratégica. É necessário que a informação transmitida ajude a criar algum tipo de ligação emocional com o público, de modo a transformar os espaços em experiências imersivas, ainda que não esquecendo a parte fundamental de dar contexto e relevância ao património em exposição.

O mais importante é proporcionar ao público uma visita marcante, já que, com o passar do tempo, é mais provável que se recorde da experiência que viveu no museu do que da informação que leu num painel.

Visitantes a participar ativamente numa experiência cultural.

Storytelling e gamificação como ferramentas de envolvimento

Para combater este problema, estes espaços podem utilizar técnicas de storytelling e gamificação para tornar a visita mais envolvente. Geralmente, consistem em jogos ou desafios com um certo nível de curiosidade estruturada, com algum tipo de progressão, seja por exemplo em missões ou diferentes etapas, e em que no final haja algum tipo de recompensa psicológica, como sentimento de descoberta e conquista, ou até por vezes recompensa “física”, como descontos, brindes ou ofertas.

No entanto, é essencial ter em conta que se deve evitar infantilizar a experiência, e nunca remover a seriedade e rigor na curadoria do património.

Mais do que personalizar e melhorar a experiência, a integração este tipo de dinâmicas numa visita permite aumentar a duração da mesma e, consequentemente, transformar a emoção em métricas de avaliação do espaço cultural. Muitas vezes, o público é motivado através da curiosidade, para “saber o que vai acontecer a seguir”, tanto na história e narrativa como na própria gamificação, e também pela interação, tomando assim uma participação ativa em toda a experiência.

Para este tipo de atividades interativas, ferramentas como áudio guias digitais e conteúdos adaptativos assumem um papel central, permitindo integrar curadoria e tecnologia numa experiência contínua e envolvente. Em comparação com as visitas tradicionais, este tipo de abordagem prolonga a duração da visita e aprofunda o envolvimento do público.

Uma necessidade estratégica

Num contexto em que a atenção dos visitantes é cada vez mais limitada, investir em experiências baseadas em storytelling e gamificação deixa de ser um elemento diferenciador para passar a ser uma necessidade estratégica. É através desta combinação entre narrativa, interação e tecnologia que os espaços culturais conseguem não só prolongar o tempo de permanência dos visitantes no local, como também criar ligações mais profundas e prolongadas com o seu público.

Os espaços culturais que querem mais tempo, mais impacto e mais relevância não precisam de mais conteúdo, mas sim de adaptar as suas histórias de forma mais criativa para transmitir ao seu público-alvo. No final, não são os espaços com mais informação que se destacam, mas sim aqueles que conseguem transformar conhecimento em experiências que o visitante quer continuar a explorar.